Mesquita cai e batata quente fica na mão do vice: delírio, amnésia e mau humor de Marconi

Joaquim Mesquita é substituído pelo vice José Eliton na SSP (Foto: Montagem)
Joaquim Mesquita é substituído pelo vice José Eliton na SSP (Foto: Montagem)

Depois de assegurar a permanência de Joaquim Mesquita à frente da Secretaria de Segurança Pública na manhã dessa quarta (24), o governador Marconi Perillo anunciou a saída do delegado e entrada do vice-governador José Eliton em seu lugar na pasta. Agora, Mesquita vai para a Secretaria de Gestão e Planejamento e Thiago Peixoto vai para a Secretaria de Desenvolvimento, antes ocupada por José Eliton.

A mudança vem em momento conturbado da Segurança no Estado, que culminou na morte de uma estudante em latrocínio próximo do colégio em que estudava.

A coletiva

Conforme publicado em sua coluna diária no Portal Folha Z, Rodrigo Czepak afirma que, “se alguém ainda tinha dúvida, hoje não existe mais. O governador Marconi Perillo perdeu a noção da distância entre delírio e realidade. Visivelmente incomodado pela obrigação de dar satisfações ao povo goiano em entrevista coletiva – especialmente pelo latrocínio que vitimou a estudante Nathália Zucatelli – o inquilino do Palácio das Esmeraldas passou recibo na ausência de medidas concretas para enfrentar o crescimento da violência em Goiás”.

Acompanhe a sucessão de fatos que, de acordo com Czepak, comprova a lentidão e o vazio nas propostas de Marconi para combater velhos e novos problemas de seu governo:

1-    Nathália foi brutalmente assassinada na noite de segunda-feira (22) quando deixava o colégio no setor Marista, em Goiânia. Governador acompanhava, no mesmo momento, formatura da filha em São Paulo;

2-    Nem mesmo a ampla repercussão do latrocínio na sociedade, espécie de gota d’água na escalada de crimes na capital, provocou reação governista. Uma fria e distante nota do governador foi divulgada no início da noite de ontem, quase 24 horas após o ocorrido;

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3-     Entrevista coletiva na manhã de hoje serviria para Marconi anunciar medidas de combate ao crescimento da violência em Goiânia e no estado. O máximo que conseguiu, porém, foi registrar criação de força-tarefa e reuniões mensais com representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (GO) e Assembleia Legislativa;

Governador Marconi Perillo divulga ações contra a violência em Goiás (Foto: Rodrigo Cabral)
Governador Marconi Perillo divulga ações contra a violência em Goiás (Foto: Rodrigo Cabral)

4-    Essas instituições, segundo o governador, irão redigir uma carta à presidente Dilma Rousseff e aos demais poderes em Brasília cobrando mudanças urgentes na legislação e no repasse de recursos;

5-    Talvez um lapso de memória tenha feito Marconi Perillo ignorar que seu colega de partido, governador Geraldo Alckmin (SP), defendeu ações semelhantes há um ano, inclusive visitando gabinetes na capital federal em busca de apoio. Nada aconteceu desde então;

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6-     Como de praxe, Marconi criou outro nome pomposo para o enfrentamento da violência no estado: “Goiás com Vida, Cruzada pela Paz”. Ele se esquivou de informar cronograma para a realização de novos concursos, todavia enfatizou que o governo vai agir “com mais vigor, mais determinação e mais espírito público”;

7-    Outra pérola do governador: “Nos meus governos a segurança melhorou extraordinariamente”, afirmou, de olho no retrovisor e sem esquecer do PMDB, mesmo com quase 20 anos de poder. Frase coincidiu com “nota 8” e “belíssimo trabalho” atribuídos a Joaquim Mesquita;

8-    Minutos antes, sites e blogs ligados ao governo iniciavam uma série de ataques ao secretário de Segurança Pública, criticando sua incompetência e alienação aos problemas da área. Em frangalhos e desmoralizado, Mesquita deixou o cargo;

9-    O desfecho da coletiva não poderia ser mais hilário: “Eu não fiz outra coisa a não ser trabalhar desde que cheguei de viagem. Comecei hoje às 4 da manhã e vi todos os relatórios”. O tempo, entretanto, foi curto para reunir secretários e anunciar medidas objetivas;

10-    A entrevista “mais do mesmo” terminou como começou: Marconi irritado com cobrança de repórter por algo palpável: “Não é teoria não, senhora!”, resmungou.

Pelo mau humor de Marconi, mais alguns minutos e a coletiva sobre segurança acabaria em bate-boca. Ainda bem que existem missões internacionais para acalmar os ânimos.

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